18.1.17

ROLÊ SP: Mostra MOTUMBÁ - MemĂłrias e ExistĂȘncias Negras

As influĂȘncias da matriz afro no cotidiano podem ser percebidas na alimentação, nas mĂșsicas e nas diversas linguagens da arte. E todas essas influĂȘncias tambĂ©m estĂŁo presentes na mostra MOTUMBÁ, que acontece no Sesc Belenzinho.



O dia 20 de novembro, dia de Zumbi dos Palmares, tambĂ©m Ă© conhecido como o dia da ConsciĂȘncia Negra. Em algumas cidades, essa data tambĂ©m Ă© feriado.

Mas vocĂȘ jĂĄ pensou no porquĂȘ dessa desse dia e na sua importĂąncia?



A data foi escolhida como um dia de reflexão sobre as questÔes da população negra no Brasil. Essas questÔes são bem específicas e o racismo, por exemplo, sofrido por muitas pessoas, é uma delas. Por isso, é bem comum neste período diversas manifestaçÔes artísticas, encontros e debates sobre a temåtica.

Mas um Ășnico dia para discutir e pensar sobre o negro na sociedade nĂŁo Ă© o suficiente; por isso o mĂȘs de Novembro tambĂ©m Ă© chamado de Novembro Negro, no qual diversas atividades abordam a vivĂȘncia do negro numa sociedade, como o Brasil, influenciada pelo perĂ­odo da escravidĂŁo.

A mostra M O T U M B Á - MemĂłrias e ExistĂȘncias Negras, do Sesc Belenzinho, começou em novembro e segue atĂ© março de 2017, com uma programação que visa valorizar a representatividade de matrizes africanas legitimadas por trajetĂłrias de vida e posicionamentos sociopolĂ­ticos.

O projeto tem cocuradoria do mĂșsico e fundador da companhia de dança Treme Terra, JoĂŁo Nascimento, que explica que as atividades foram prensadas no sentido da representatividade e enfatiza a importĂąncia na escolha dos artistas e dos grupos convidados. "Quando se fala em representatividade Ă© preciso pensar em quem estĂĄ fazendo, se o trabalho dialoga com a cultura negra, nĂŁo sĂł no sentido estĂ©tico do belo, mas tambĂ©m, pensar na trajetĂłria do movimento negro", afirma JoĂŁo.

M O T U M B Á

Assim como o nome da mostra, kolofé, mukuiu e mojubå também significam benção e pedido de licença em iorubå. Essas palavras não são utilizadas diariamente, mas poderiam ser tão comuns como babå, cafuné e batuque, palavras de origem da matriz africana.

As influĂȘncias da matriz afro no cotidiano podem ser percebidas na alimentação, nas mĂșsicas e nas diversas linguagens da arte. O co-curador explica como essas influĂȘncias foram pensadas na programação. "A minha preocupação como co-curador Ă© pensar nos cĂłdigos dessas artes negras e como podemos evidenciar isso e fortalecĂȘ-las. É pensar tambĂ©m os personagens que as compĂ”em, que fazem parte e estĂŁo propondo esses trabalhos e a histĂłria desses personagens", conclui.



Assista a entrevista que fizemos com o JoĂŁo Nascimento, cocurador da Mostra.



Confira a programação de janeiro:




Destaco alguns eventos da programação, que acontece exclusivamente no SESC Belenzinho

- MemĂłrias e ExistĂȘncias Negras :  Mostra que valoriza a representatividade de matrizes africanas legitimadas por trajetĂłrias de vida e posicionamentos sociopolĂ­ticos.
Até 02/02

J.J. Jackson : Com 50 anos de carreira, dos quais 30 se apresentou em palcos brasileiros, o norte-americano J.J. Jackson faz este show em homenagem ao paĂ­s que escolheu para viver.
20/01

- Curta-metragem "Cores e Botas" : Joana tem um sonho comum a muitas meninas dos anos 80: ser Paquita. Sua famĂ­lia Ă© bem sucedida e a apoia em seu sonho. PorĂ©m, Joana Ă© negra, e nunca se viu uma paquita negra no programa da Xuxa.
20/01

- Peça Teatral "NamĂ­bia, NĂŁo!" : O Governo brasileiro decretou uma Medida ProvisĂłria obrigando que todos os de 'melanina acentuada' sejam capturados e enviados imediatamente Ă  África, provocando, em pleno sĂ©culo XXI, o revĂ©s da diĂĄspora vivida pelo povo africano do Brasil escravocrata. A medida Ă© uma ação de reparação social aos danos causados pela UniĂŁo. Mas, para nĂŁo incorrer no crime de "InvasĂŁo a DomicĂ­lio", eles sĂł podem ser capturados na rua. Assim, AndrĂ© e AntĂŽnio passam o dia trancados no apartamento, debatendo as questĂ”es sociais e econĂŽmicas da vida atual, seus anseios pessoais e as consequĂȘncias de um iminente retorno Ă  África-mĂŁe.
20 Ă  22/01

Show "Mulheres Do Rap": Cris SNJ, Stefanie Roberta, YzalĂș, Luana Hansen e Shirley Casa Verde.
21/01

Curta-metragem "Afronauts": Em 16 de julho de 1969, os EUA se preparam para lançar o Apollo 11. HĂĄ milhares de quilĂŽmetros de distancia, a Academia Espacial de ZĂąmbia espera chegar a lua antes dos estadunidenses. O filme Ă© inspirado em fatos reais.
22/01 -

Mesa de debate "Representação, empoderamento e protagonismo da mulher preta nas artes" :

Refletir sobre a representação da mulher nas artes cĂȘnicas, com o propĂłsito discutir o seu protagonismo nas diversas ĂĄreas que envolve a produção de um espetĂĄculo, desde a direção, a dramaturgia, a interpretação, a temĂĄtica, o processo de criação, bem como, os estereĂłtipos e personagens reproduzidos pela grande mĂ­dia.
Com Cristiane Sobral, Renata Martins e Débora Marçal.
Mediação: Sandra Campos.

Intervenção Cultural Jongo Dito Ribeiro
31/01

Oficina "ExperiĂȘncias tĂȘxteis": Dona Jacira Oliveira Ă© pesquisadora da diĂĄspora africana, Ă© bordadeira e tecelĂŁ autodidata alĂ©m de contadora de histĂłrias.
31/01

Oficina "Imersão no Ciberterreiro": A oficina propÔe a imersão num ambiente inter-mídia tendo como base os procedimentos das artes e culturas que emergem no Atlùntico Negro e seu diålogo com as tecnologias digitais de som e imagem. O objetivo é compartilhar com os participantes os processos de criação do Coletivo Black Horizonte e experimentar, a partir de exercícios de improvisação, a criação de narrativas sonoras, visuais e coreogråficas.
31/01 A 03/02 | 04/02 A 05/02

Para acessar a programação completa clique aqui.